Atriplex lampa: Resiliência forrageira e restauração em ecossistemas áridos

A zampa (Atriplex lampa) é um arbusto chave pela sua resistência à salinidade e seca, vital para forragem e restauração em zonas áridas.

Atriplex lampa: Resiliência forrageira e restauração em ecossistemas áridos

Adaptações Fisiológicas e Morfológicas de Atriplex lampa à Salinidade

A zampa (Atriplex lampa) emerge como uma espécie chave para a sustentabilidade em ecossistemas áridos e semiáridos da região. Este arbusto nativo, conhecido pela sua notável resiliência, oferece uma solução forrageira robusta e adaptada a condições extremas, marcando um caminho para sistemas produtivos mais resilientes face às alterações climáticas. A sua capacidade de prosperar em solos degradados e salinos posiciona-o como um componente essencial em estratégias de restauração ecológica e produção pecuária em contextos de escassez hídrica.

Atriplex lampa, pertencente à família Amaranthaceae, é um arbusto perene de até 3 metros de altura, caracterizado pela sua folhagem acinzentada-prateada, que lhe confere uma aparência distintiva na paisagem árida. As suas folhas, pequenas e suculentas, estão cobertas por tricomas vesiculares que armazenam e secretam sais, um mecanismo crucial para a sua tolerância à salinidade. Este traço fisiológico permite-lhe regular a concentração interna de iões, minimizando o stress osmótico em solos com alto teor de sais, comuns em vastas extensões da Patagónia e do centro da Argentina.

A arquitetura radicular da zampa é outro fator determinante na sua sobrevivência. Desenvolve um sistema radicular profundo e extensivo, capaz de explorar grandes volumes de solo em busca de humidade e nutrientes, mesmo em períodos prolongados de seca. Esta adaptação confere à planta uma excecional resistência à aridez, permitindo-lhe manter a atividade fotossintética quando outras espécies sucumbem. Estudos recentes do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) realçaram a eficiência de Atriplex lampa no uso da água, classificando-a como uma espécie C4 com alta eficiência fotossintética sob stress hídrico. Esta combinação de adaptações morfológicas e fisiológicas sublinha o seu valor ecológico e produtivo na revegetação de áreas degradadas e como recurso forrageiro em sistemas silvopastoris resilientes ao clima. Mais informação sobre investigações do INTA pode ser consultada em https://inta.gob.ar/.

Protocolos de Propagação e Estabelecimento em Viveiro

A reprodução de Atriplex lampa pode realizar-se tanto por sementes como por estacas, embora a propagação sexual seja geralmente o método preferente para grandes extensões. As sementes apresentam uma dormência tegumentar e química, o que requer tratamentos pré-germinativos para assegurar uma emergência uniforme e bem-sucedida. Um protocolo eficaz implica a imersão das sementes em água à temperatura ambiente durante 24 a 48 horas, seguida de uma escarificação mecânica suave ou um tratamento com ácido giberélico para quebrar a dormência.

A sementeira direta em campo pode ser desafiadora devido à competição com plantas daninhas e à variabilidade climática. Por isso, o estabelecimento em viveiro apresenta-se como uma alternativa mais controlada e com maiores taxas de sucesso. As plântulas desenvolvem-se em tabuleiros ou vasos individuais com substrato leve e bem drenado, composto por areia, turfa e perlita. O transplante para o terreno definitivo recomenda-se quando as plântulas atingem uma altura de 15-20 cm, geralmente após 3 a 5 meses em viveiro, coincidindo com períodos de menor stress hídrico ou com a chegada das chuvas sazonais.

Inovações na propagação incluem o uso de tabuleiros com células mais profundas para favorecer o desenvolvimento radicular e sistemas de rega por nebulização que otimizam a humidade ambiental sem saturar o substrato. Investigações do CONICET, em colaboração com universidades como a Universidad Nacional de La Pampa, exploram a micropropagação in vitro para a produção massiva de material genético selecionado, uma tendência emergente para espécies arbustivas de interesse forrageiro. Detalhes sobre estas investigações podem ser encontrados em https://www.conicet.gov.ar/.

Maneio Agronómico para a Produção Forrageira Sustentável

O maneio agronómico de Atriplex lampa orienta-se para potenciar o seu crescimento e o seu valor como forragem. Este arbusto é extremamente rústico e não demanda solos de alta fertilidade, prosperando mesmo em solos salinos e alcalinos. No entanto, um aporte inicial de matéria orgânica ou composto pode favorecer o estabelecimento das plântulas. A rega suplementar é crucial durante os primeiros meses após o transplante, mas uma vez estabelecida, a zampa é altamente tolerante à seca e só requer regas esporádicas em períodos de seca extrema, preferencialmente mediante sistemas de gota que otimizam o uso da água.

A poda é uma prática essencial para manter a produtividade e a qualidade da forragem. Recomenda-se uma poda de formação durante os primeiros anos para estimular a ramificação e a produção de rebentos tenros. Posteriormente, podas de manutenção anuais ou bienais, preferencialmente ao final do inverno, ajudam a rejuvenescer a planta e a controlar o seu tamanho, facilitando o acesso do gado.

Quanto ao seu valor forrageiro, Atriplex lampa é uma fonte importante de proteínas e minerais para o gado ovino e caprino, especialmente em épocas de escassez de pastagens. O seu teor de matéria seca, proteína bruta e digestibilidade é competitivo com outras espécies forrageiras adaptadas à aridez. No entanto, o seu alto teor de sais pode limitar o consumo se não for complementado com outras fontes de água doce e forragens de menor salinidade. A integração da zampa em sistemas silvopastoris não só diversifica a dieta do gado, como também contribui para a estabilização do solo, a proteção contra a erosão eólica e a criação de microclimas favoráveis para outras espécies, alinhando-se com os princípios da agricultura regenerativa. Esta prática está a ser impulsionada por programas de fomento à resiliência produtiva em regiões como a Patagónia argentina.

Potencial de Fitorremediação e Captura de Carbono

Apesar das suas múltiplas vantagens, o cultivo de Atriplex lampa apresenta alguns desafios. O principal é a lenta taxa de crescimento inicial, que requer uma proteção adequada contra o pastoreio precoce e a competição com plantas daninhas durante os primeiros anos. A palatabilidade, influenciada pelo seu teor salino, também deve ser gerida mediante uma dieta equilibrada para o gado. No entanto, a zampa é notavelmente resistente a pragas e doenças, o que reduz a necessidade de intervenções fitossanitárias.

As perspetivas futuras para Atriplex lampa são promissoras, especialmente no contexto das alterações climáticas e da crescente procura por sistemas agrícolas mais sustentáveis. A sua capacidade de fitorremediação de solos salinos e o seu papel na captura de carbono posicionam-na como uma ferramenta valiosa na luta contra a desertificação. Investigações em curso focam-se na seleção de ecótipos com menor teor de sais e maior palatabilidade, bem como no desenvolvimento de técnicas de maneio que otimizem a sua produtividade e a sua integração em sistemas agroflorestais complexos. A utilização de sensores de humidade de solo e drones para monitorizar o crescimento e a saúde das plantações de zampa representa uma tendência tecnológica emergente que poderá potenciar o seu maneio em larga escala, transformando a gestão dos recursos forrageiros em zonas áridas.

Atriplex lampa representa mais do que um simples arbusto forrageiro; é um pilar de resiliência e sustentabilidade para as zonas áridas. A sua robustez, valor nutritivo e capacidade de adaptação tornam-no um componente insubstituível para a pecuária extensiva e a restauração de ecossistemas degradados. Ao integrar a zampa nas nossas práticas agrícolas, não só asseguramos a alimentação do gado em condições adversas, como também contribuímos ativamente para a saúde do solo e para a mitigação do impacto ambiental, forjando um futuro mais verde e produtivo na região.

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